quarta-feira, 8 de março de 2017

Pela Efeméride de hoje




Eu não quero ser diferente, quero ser normal. O meu género não me faz diferente nem especial, nem inferior nem superior.
Celebrar uma efeméride como dia da Mulher faz-me recordar que sou ou faço parte de um grupo com discriminação positiva.
Eu quero é que de uma vez por todas se me reconheça o mesmo valor ou desvalor que qualquer outro. Os mesmos direitos e os mesmos deveres. Que não esteja à partida, logo no momento da minha nascença vedada a possibilidade de viver com os mesmos direitos e deveres que a maioria, apenas porque nasci mulher ou homem, branco ou negro… não admito sequer que se ponha em causa a minha dignidade ou que se questione se tenho alma!
Nem sei bem até que ponto quero recordar que se tivesse nascido noutro pais ou noutro credo, ou noutra época não teria o mesmo valor que outro ser humano só por causa do meu género!  Não sei até que ponto quero recordar que ainda hoje há quem me diga frontalmente que não podemos ter as mesmas funções porque não somos iguais, “e isso está provado cientificamente”, não sei até que ponto me quero recordar que há 4 anos atrás numa entrevista de trabalho me foi dito frontalmente que não queriam admitir mais mulheres em determinados postos de trabalho, com determinada responsabilidade… não sei até que ponto me quero recordar que faz sentido “celebrar esta efemeridade” e ter esta coisa da discriminação positiva… não sei até que ponto quero recordar que uma das minhas maiores virtudes é ser uma mulher com um ar agradável e um dos meus maiores defeitos e ter a mania que sou dona do meu nariz.
Não me quero recordar que nestes dias e em épocas de campanha eleitoral alguém se lembre sempre de frisar que deve “haver mais mulheres na politica”, eu acho que simplesmente deve haver mais gente competente!
Quero que me digam que não sou competente, quero que me digam que tenho que dominar melhor determinados assuntos, que se fizer mais exercício físico terei mais força de acordo com o que é a minha constituição física como um ser biológico com “x” kg “x” altura…
Sou diferente e tão vulgar como todos os restantes seres humanos. Sou muito especial pelas minhas características próprias, inatas e adquiridas, pelas vivências, pelo que me identifica e me faz ser eu, com as minhas aptidões e dificuldades. Tenho o direito e o dever de desenvolver o que sou capaz de fazer e melhorar o que preciso fazer melhor, sou tão especial com as minhas especificações como o são todos os outros: ser mulher é só apenas mais um aspeto, como ter uma vagina e calçar o 37-38.

Lúcia
8-03-2017

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