quinta-feira, 21 de março de 2019

a poesia da Luta


As palavras adentram-se na noite como esguios filamentos,
Não sei se sonhamos ou se tudo isto só são pensamentos.

Fica-nos nas mãos o embalo da luta, efeito de inercia,
O corpo ainda se debate em movimento e relutância
Não há descanso, não há paragem, não há morte!
É a luta é a militância… é tão bonita a luta camarada,
com junta a gente de sul a norte.

As palavras dançam-nos na boca
Quase em tropelia, quase à pura sorte…
Ficam-nos presas no silêncio até à revolta de um dia!
Fabrica no pensamento, operária que parece rendida,
Ao ritmo da montagem, a revolta de toda a vida.

Rompem do silêncio as mãos em luz
Que desistiram de pedir ajuda a Jesus
Rompem do silêncio os braços da força
A fazer o destino, a impedir que se sofra.

é tão bonita a luta camarada…
e há lá melhor poesia do que vir à rua a revolta eriçada?


e que a operaria fabrique dentro de si palavras maresia,
e que venham de dentro as palavras para que a luta não seja vazia.


Lúcia Cunha