sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Só é belo se for ORGASMÁTICO

 Sim, é básico

as coisas só funcionam se nos derem tesão. Os brasileiros dizem despudoradamente "tesão" e eu gosto da libertação que me provoca o despudor. O pudor é nojento, é uma coisa inventada pelos perversos: beatas e pederastas, censuradores... Inquisidores do pensamento.

Eu preciso ter essa sensação orgásmica com tudo o que faço, para que o faça efetivamente. 

Capacidade de conciliar o pragmatismo e o romantismo, é uma espécie de perfeição, como o corpúsculo e as suas cores, que jamais poderiam ser cliché.

É impossível não te apaixonares por uma causa e deixar que te absorva a energia e te provoque uma explosão interna, numa explosão dolorosamente prazerosa.


Tenho saudades de ti.

Podias vir-te deitar nos meus textos, novamente, e enrolares-te nas letras.

Tenho saudades tuas.

Tenho saudades dessa luta.



Lúcia


quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Pó e Luz

Para cada pergunta temos uma resposta. Se as pessoas querem outras respostas têm que reformular as perguntas.

O maior problema é pôr-me em causa, em corrida, em disputa...

Nada disso. Não é isso que vou fazer.

Entre as tuas palavras percebi que queres dizer com o não forçar o encontro. Eu também posso fazer como tu, não forçar o encontro, e podemos pairar no universo como seres que se querem. 

se isso me basta? hoje talvez. Sem receio de que no universo haja outros seres que se cruzem no caminho e que também nos façam sentir bem. Viver com esta ideia parece fácil, conviver com ela parece difícil, para quem queira construir em conjunto. 

Não te quero prender numa teia quero encontrar-me contigo no universo. Será inevitável que nesse universo encontres mais ou menos luz do que aquela que encontras comigo... será presunçoso que eu pense que não vais encontrar mais do que encontras comigo. 

Mas sei que não é fácil encontrar paz, honestidade, amor e aquela mão que te puxa para juntares a cabeça ao peito e dizer que está tudo bem.

Mas, sei que não é fácil encontrar quem te queira ajudar a subir, quem partilhe dores dificuldades e se jubile com os ganhos... que lute para o teu bem-estar.

Aproveita o espaço com essas pessoas e aprende.

Todo o momento é bom para a aprendizagem, no hiato da diferença e na vontade do possível encontro.

Aprendemos à mesa, na cama, com o vinho, na caminhada... nas lutas.

Se te perderes no pó da Galáxia, sou feliz porque levo comigo do teu pó.

e... espalharei o meu em toda a parte até provocar espirro nas mentes e não deixar sós as gentes.

agora sei que sou rio

agora sei que sou

sente em toda parte parte de mim e nunca te sentirás só

sente em toda a parte os meus beijos

nunca te sintas só


A Lúcia


terça-feira, 22 de junho de 2021

é tudo =

 

Enquanto ao longe vejo fardos empilhados

Como se a natureza se encarregasse de pixelizar a paisagem

Há ovelhas plantadas no restolho

Como rochas arredondadas à semelhança das nuvens no céu

 

O mundo parou (decidi eu)

Neste momento em que fixo o tempo por dentro

 

é tudo igual em versões diferentes do mesmo bem e do mesmo mal

 

Ainda não está tudo visto

Até que tu te digas para ir

e então me preparo e me visto

pronta para continuar

o motor do carro fala e lá fora tudo tem o seu lugar

mas o mundo parou (decidi eu)

 

o mundo para até eu decidi que volto

não há outro poder que queira

se não o da autodeterminação

 

é tudo igual em versões diferentes do mesmo bem do mal e das gentes

e do que é mundano e do que é humano

tem cheiro doce a paz e a guerra

é tudo igual é tudo a mesma Terra

 

só se pode andar se não se for árvore

 

e somos arvores que voam

metamorfose constante

é tudo igual em versões e tamanhos semelhantes

são as gentes, são os montes e os amantes

 

e cada solidão única

é tão vulgar em qualquer um

potencial proto artista na sua dor

na alegria e na cor.


a Lúcia

se é, REVOLUÇÃO É nome para ser

 

Há uma dor

Um desconforto

Uma desobediência física geral

Ou um corpo à espera de uma vontade

Uma vontade maior

Uma vontade de vontade verdadeira

Uma vontade com um motivo que tenha razão

Não um “pode ser que”

Mas uma certeza absoluta de qua a ação vai ter um resultado concreto

Estou farta de bracejar e nada

Estou farta de ser tudo e invisível

Eu quero um fim e uma meta

Uma meta concreta de nos levar a um pódio merecido

Já não me basta andar de jogo em jogo vencido

Eu agora só quero a taça

Faça o que faça

Já não à farsa, nada é de graça

 

Eu agora quero o pão

Que manja a boca e a razão

Eu agora quero o auge e a satisfação

Acabaram-se os fretes e as palavras ao vento

Prontas a serem papadas nos cataventos

 

Eu agora… doí-me a barriga e tenho fome

Já não há ação por ação

É revolução e tem nome

Não me importa a cotação

Na a exequibilidade da substituição

Eu agora tenho fome

Preciso de água e pão

Que me manja a boca e me pede a razão

Já não há borlas das ditas

Se em mim ficam a mim dão prazer

Não há folhas soltas

Nem amoras voluptuosas para ler

Assim, só por que sim e pode ser.

Eu, agora, tenho fome

De boas palavras para ler

Já não há ação por ação

Se é, revolução

É o nome para ser.

 

 A Lúcia

produto inacabado

 

Foi-se ao longe uma vontade que já esteve dentro de mim

E de todas as pulsões falta-me aquela que preciso para o fim

E não é que me falte a vontade ou o querer

Mas faltam-me as forças para o fazer

Tolhem-se-me os membros sem mal aparente

Para onde se foi tudo de repente

 

É um desencanto profundo

Sôfrego sentir do medo abafado noutro mundo

Como se o medo fosse pecado

Quando não é mais que um pragmático aviso

Do valor do juízo

De longo caminhar resultado

Consequência, resultado

 

Ah! já não basta caminhar sobre aviso

Como ainda ter de camuflar

O que não é se não produto natural da situação

 

E se um dia me deixasse cair?

Até voltar de novo a primavera ou o verão…

E deixar-me rebentar naturalmente depois de um repouso no chão?

A quem importa uma paragem hoje ou depois então?

 

Só me afaga o consolo da minha completa solidão.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Esse Mundo de faz de conta

 

Esse Mundo de faz de conta

Que criaste para nós

Continuamos soltos e sós

Mas tu criaste um mundo de faz de conta

onde não há tato nem teto

 

já vivo bem sem o tato e daqui a pouco não me interessa o teto

porque vivo sem viver

e sou num lugar qualquer

aquilo que nunca posso ser

leva de mim o que tenho no peito

que vai para além dos meus tristes seios

aquilo que abro para além de mim

e sem receios

 

esse mundo de faz de conta

onde conta o que verdadeiramente conta

a única realidade paralela e de verdade

 

criaste para nós um caminho tão duro

quando decidiste que seriamos

retidão apesar do desconforto

retidão num ermo torto

e volto para ti pequeno ermo

da minha infância

das promessas para toda a minha vida

onde a verdade nos acarinha mutuamente

eu aqui e eu lá atrás

eu aqui e eu lá à frente

nunca nos esquecemos de mim própria.  

 

 

 

Duas pétalas nos abrem flor

Como se as arvores

Fossem fêmeas cheias de amor

Deito-me sobre a terra

E deixo que o sol me tome

De onde te vem a força?

 

Hoje calei os tempos

E dormitei sob a luz no campo do sol

Toma-me nos braços para me despertares

Tamanha é a dor de já não sentir

 

Duas pétalas nos abrem a flor da alma

E nos lambem a fala

Saem-me palavras da vagina

E purga-me do ventre um palavrão: AMOR

 

Repugnam-me nos cabelos

Raciocínios melosos

E nas faces bafejam-me vaticínios merdosos

 

- Ama-me!

- Ama-te.

Amanhã

O gelo cobre campos longos

Onde as montanhas não me abafam o espírito

E oxalá éguas corram um dia

Até às falésias junto ao mar

 

Aqui, onde os campos levam o horizonte até ao mar

Onde as serras estão longe para me apertar

Onde a vista vê até ao infinito

E o sol me percorre até ao fim.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Envelope

 envelope

sou um envelope, fechado, selado


tenho saudades de quando me dizias que as minhas letras tinham musica.

um envelope fechada

é confortável


tenho saudades de excitação 

dos ventos

tenho saudades dos maus momentos

não de agora, de outros tempos


saudades amor

a melancolia que se enraíza

essa que te afasta de mim

essa que me manda procurar outro sítio

outro 

outro qualquer que nunca sei onde

e fecho

selado

um envelope

sem carta, que atiro e vai para nenhum lado.