quinta-feira, 19 de setembro de 2019

nesga verde

Fui ali buscar-me, num derradeiro momento.
sentei sobre um ombro de rocha e sob uma nesga de verde no horizonte.
Ah, como estou farta dali! 
Vim aqui buscar-me num pouco de resquício de quase de mim.
Há quanto tempo não me sussurras…
 prosa vazia de sonhos quase me matam a convicção.
Ah como temia os lodos, os engodos e os tolos.


Voa águia, endireita a quilha sacode as asas.


Quanto do meu caminho me deixou memória e tempo
quanto do meu caminho tornou firme o firmamento
quanto do meu caminho me fez pedra e calçada
quanto do meu caminho é hodierno na batalha


secaram-me as palavras ainda sem frutos
mas dentro de mim sei eu que tenho rebentos


não há noite, nem dono que se tema nem temia

temor só do sono que é doce crepúsculo na labuta de qualquer dia

Lúcia

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