quarta-feira, 14 de março de 2018

Como teria sido a vida se a tivesse escrito diferente?



Como teria sido a vida se tivéssemos tido coragem de a escrever de forma diferente?
Hoje não tenho forças para amar mais que a conta
Hoje a alma retirou-se para não se contagiar pelo corpo doente

Não quero forçar a alma a um exercício extramundano
Se não tenho auxilio da mente
E a minha hoje repousa num corpo frágil e doente
Valha-me o levofloxacino, a levofloxacina ou ácido clavulânico.

Se ao menos eu estivesse forte
Ou a força cuidasse de mim
Forte, só sou… se não estiver assim!

E se assim não estiver
Também posso ainda ser
Basta dar um tempo e recolher
E amanhã… amanhecer.

E tu meu amor…
Não sei que te dizer
Como teria sido vida que não tivemos que viver

Mas sei que a minha parte está feita
E a tua fizeste como quiseste fazer

Não tenho na mão receita
Epifania ou salvação
Revelaste sempre alguma afeição
para consultar nigromante e adivinhante por vocação
Como se decidir não fosse a tua devoção
Mas hoje ainda não é ainda o dia dessa convocação
tenhamos em privança e num dia de verão.
A Lúcia












quinta-feira, 1 de março de 2018

Um poema, encravado



Tinha aqui um poema, encravado na alma a fazer comichão
Não tive outra opção, se não
Escreve-lo em vez de o arrancar.
Peguei em tinta e pluma
E de nota uma a uma
Pus-me ao piano a teclar

Somos feitos de papel meu amor
Papel seda a amarelar
Somos feitos de papel que pode escurecer e enrugar

Mas eu gosto do meu papel
Do que vim ao Mundo interpretar
É um papel só meu, não o que me quiseram dar

Vi-te meu amigo,
De sorriso rasgado sincero
Também era o meu para te cumprimentar

Somos feitos de amor meu papel
Somos feitos de amor que não deve dobrar
Somos feitos de matéria que se transforma ao nevar

Somos feitos de papel
Que ao chover se pode molhar


Lúcia

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A cura do soldado

Esta é a luz
A reza e a cura
Tu dentro de ti.

Tu dentro de ti pronto para fora
Pronto para os outros
Cria laços dá abraços
Sem medo.

Eu sei o teu segredo,
Eu sei sempre o maldito segredo.
Eu vejo sempre o teu maldito medo,
Os teus uivos de noite na noite e no escuro céu.
Se eu sei não estás só
Nenhum de vós
E eu sei, quem és tu.
Acredita em nós.
Vejo-te por dentro mesmo que me fujas
Vejo o teu choro
Vejo o teu choro quando edificas muros belicosos
Eu, vejo-te sempre a chorar
Por de trás dos teus gritos, da tua raiva da tua força
Da tua maldade...
Eu vejo o teu choro
E por isso não posso desistir de ti.

Nunca vou desistir de quem se pode perder.
Ao meu rebanho pertencem todas as cabras.
No meu rebanho se há cabras,  também há imensas ovelhas negras.
O meu rebanho é muito bonito
Deliciosamente variado.
Nenhum cabrito será levado.
O meu coração precisa bater mais vezes
Para que tu me oiças e não te sintas só.
Não é pena, nem dó,
É respeito e admiração.
Vejo em ti quem tu mesmo não vês.

És grande.
És imenso se te deixares ser.
És inteiro… bastas ser.

 E eu,
Eu preciso de ti.

Como Éden precisas das Macieiras.
Um amor precisa
Nove pontos
Cada conto
Laudo de reis
Amor
Um
Dia
Igual
Ou simplesmente uma cascata de letras do teu nome.

A Lúcia







Diz que hoje é um grande Dia



Estou certa que hoje é um grande dia
Só não sei que dia é
A partir de hoje será um dia melhor
Estou certa que sim
Só não sei o que será para mim

Se te chamar amor
Fico especada a pensar
E quando penso paro
E percebo que não devo parar

Respiro num respirar profundo e penso que devia ser como vim ao mundo
Para o raio o que se esteja a pensar
Bato de novo no teclado novo
E digo a cada pancada
Uma batida – nesta batida reforçada
do órgão da minha aflição
meu doente coração.

Agarra dentro de ti as pétalas das tuas papoilas
Mulher,
Que és se não mulher?
Assume-te inteira e reforçada
Na tua tez enrugada
Como até fica a rocha sob a geada
Assume-te em corpo nú cabelos esbranquiçadas
Seios doces e aveludados
Braços esguios levantados
Assume os campos despovoados
Assume todos os atos falhados
E respira
Pausada a cada pausa
Segue
Sem ser cega
Não te cegue
Na ceifada
A cor da dor da madrugada
A solidão te faça una
A solidão não te faça só
Cheguei em cada palavra
Para pintar as paredes do teu quarto
E tu pinta-me papoilas um dia
Para que possa ter na tua alegria
Pinto-te doces palavras e fortes para que acredites que não estás só
A cada um que chegue e vai
Que vá mais forte
Menos vencido.

A Lúcia